IA GENERATIVA · EDITORIAL · CASE 008
Três peças editoriais construídas com Gemini, Freepik AI e Figma. Não como geração automática — como processo autoral: conceito antes da ferramenta, prompt engineering técnico, curadoria rigorosa e composição tipográfica com narrativa. O olho humano conduzindo a máquina em cada etapa.
Peças editoriais completas
Modelos de IA — Gemini + Freepik
Variações geradas e avaliadas
Iterações até o resultado certo
O experimento
Este projeto nasceu de uma hipótese: se o prompt é a direção de arte da IA, então um designer com pensamento editorial consegue resultados radicalmente diferentes de quem simplesmente digita um pedido. A diferença entre "uma mulher negra bonita" e um prompt cinematográfico de 80 palavras com referências de iluminação, câmera, textura de pele e contexto narrativo é a diferença entre um resultado genérico e uma peça editorial.
A decisão de trabalhar com pessoas negras como sujeito central foi deliberada e política. A IA generativa carrega vieses históricos — pele muito escura tende a perder detalhes, cabelos crespos são frequentemente "corrigidos" para texturas lisas, traços africanos são suavizados para padrões eurocêntricos. Testar, nomear e contornar esses limites faz parte do aprendizado real do processo.
O tema narrativo que atravessa as três peças é a própria natureza da IA: o que é real, o que é criado, e quem decide o que fazer com isso. A ferramenta virando o assunto da obra — metalinguagem intencional.
GERAÇÃO DE IMAGEM · MODELO 01
Usado nas fases iniciais de exploração conceitual e primeiras variações. Responde bem a prompts descritivos longos com referências culturais e cinematográficas. Ponto forte: coerência narrativa e interpretação de contexto. Ponto fraco: controle de detalhes anatômicos e texturas de pele muito escura sob luz direta exige muitas iterações específicas.
GERAÇÃO DE IMAGEM · MODELO 02
Modelo FLUX via plataforma Freepik. Usado para refinamento e geração das versões finais selecionadas. Controle superior sobre composição, enquadramento e consistência de iluminação. Melhor performance com pele escura quando o prompt especifica iluminação lateral e termos técnicos de fotografia. Integração direta com o fluxo Figma.
Workflow — as 5 etapas do processo
As três peças
Cada peça tem um argumento central independente. Juntas, formam um tríptico sobre autoria, criação e a relação entre o humano e a máquina generativa. Assino cada uma — a IA foi o pincel, não o pintor.
Peça 01 · Peça 02 · Peça 03 — Arte IA Editorial · Oliver Franco · 2025
Análise por peça — 01 / 03
PEÇA 01 · FREEPIK AI (FLUX) · ~22 VARIAÇÕES
O ponto de partida foi uma provocação direta: a IA pode gerar beleza genuína, ou apenas imita o que já viu? A resposta visual foi construir duas figuras com presença física forte — pele escura com textura real, cabelos em contraste (liso e crespo), look metalizado que pertence ao futuro mas carrega atitude urbana do presente.
O principal desafio técnico foi obter pele muito escura com detalhes preservados sob luz quente e altamente saturada. A maioria das gerações iniciais resultava em rostos sub-expostos ou com pele que perdia textura e tornava-se plástica. A solução foi especificar luz lateral no prompt — que cria separação entre pele e fundo — e usar os termos exatos "rich skin detail, visible pores, natural melanin depth".
A escolha do fundo laranja-quente não foi casualidade: cria tensão cromática com o metálico rosado dos looks, e a temperatura alta da cena sugere intensidade emocional sem precisar de expressão dramática nos rostos. As duas figuras olham diretamente para o espectador — não posando, confrontando.
A composição tipográfica usa três blocos em posições diferentes, criando leitura fragmentada intencional: título central forte, dois comentários menores como legendas de pensamento. O glass-morphism foi calibrado para transparência suficiente para leitura, insuficiente para bloquear a imagem.
HISTÓRICO DE ITERAÇÕES
Análise por peça — 02 / 03
PEÇA 02 · GEMINI + FREEPIK AI · ~38 VARIAÇÕES
Esta foi a peça mais iterada do experimento — e por razão específica: homem negro com dreads, moda urbana bold, pele muito escura e contraluz intenso de neon. Cada um desses elementos individualmente já exige ajuste de prompt. Combinados, o modelo quase sempre priorizava um em detrimento de outro. Ou o look ficava certo e os dreads desapareciam. Ou a luz ficava dramática e a pele perdia profundidade.
A decisão de usar contraluz laranja neón como fonte principal de luz foi a chave que desbloqueou o resultado. A luz de trás cria um halo ao redor dos dreads que os define sem precisar de detalhe em cada fio — o olho humano completa a informação. A pele frontal mais escura é intencional: a silhueta conta mais que o detalhe facial nesta peça.
O look amarelo-querosene — bomber jacket, calças de moletom, correntes de prata em camadas — foi especificado item por item. A IA tende a "padronizar" roupa masculina para looks seguros e monocromáticos escuros. Nomear cada peça explicitamente foi necessário para o resultado bold que a narrativa pede.
O Gemini foi usado na fase de exploração: gerou as primeiras variações que definiram a direção do look e a composição geral. O Freepik AI (FLUX) foi o modelo do refinamento final, com controle superior sobre enquadramento e intensidade da luz de neon. Dois modelos, funções diferentes, decisão humana em cada troca.
HISTÓRICO DE ITERAÇÕES
Análise por peça — 03 / 03
PEÇA 03 · FREEPIK AI (FLUX) · ~18 VARIAÇÕES
A peça mais metalinguística do experimento. O título "Se parece real, precisa ser?" é ao mesmo tempo a pergunta que o espectador faz à imagem e a que fiz durante todo o processo. A IA cria sua própria versão da realidade — e você decide o que fazer com isso.
A escolha do contexto — bar noturno com neon vermelho e laranja, mulher com boné de aba reta e jaqueta bege, expressão contida e olhar lateral — constrói uma narrativa urbana que parece documental. Parece uma fotografia tirada em um local real, em uma noite real. Não é. E esse é o argumento.
Tecnicamente, este foi o prompt mais enxuto em palavras mas mais preciso em referências. A iluminação de bar noturno com neon é suficientemente caótica para que pequenos artefatos da geração se percam no ruído natural da cena — uma decisão consciente de usar a limitação da IA a favor da narrativa.
Uma descoberta empírica importante nesta peça: acessórios metálicos e reflexivos no prompt ajudam o modelo a ancorar a iluminação na cena. O brinco de argola dourada e o colar de pérolas foram adicionados especificamente por isso — detalhes que refletem luz criam coerência fotográfica nos reflexos ao redor do rosto. Não é intuição — é técnica descoberta iterando.
Os três blocos de texto em posições e tamanhos diferentes funcionam como mensagens sobrepostas em uma tela — reforçam a sensação de camadas, de algo que não é completamente legível de uma vez. A narrativa pede ambiguidade, e a composição a entrega.
HISTÓRICO DE ITERAÇÕES
Reflexão — o papel do humano
Depois de três peças, dezenas de iterações e cerca de 78 variações avaliadas, uma conclusão é clara: a IA generativa não tem intenção. Ela tem padrões. Ela replica o que viu mais vezes, amplifica o que é estatisticamente médio, e falha exatamente onde a originalidade começa.
Meu trabalho é tudo aquilo que vem antes e depois do clique em "gerar". É o conceito que ancora a imagem em uma ideia real. É o olhar que rejeita 35 variações tecnicamente corretas porque nenhuma tem a tensão certa. É a decisão de usar o limite da ferramenta como elemento estético. É a tipografia que transforma uma foto bonita em um argumento.
A IA gera o que é provável. O designer define o que é necessário. Sem conceito editorial anterior, o prompt produz média — tecnicamente competente, narrativamente vazia. Cada peça tinha uma pergunta antes de ter um prompt.
Conceito vem antes da ferramentaA peça mais simples gerou 18 variações. A mais complexa, 38. O que aparece no portfólio é a variação 4, ou a 6 — nunca a primeira. A curadoria rigorosa é onde o resultado amador e o profissional se separam definitivamente.
A seleção define a qualidadePele muito escura, cabelos crespos, traços africanos — a IA tem vieses documentados nesses atributos. Ignorar é reproduzir. A solução foi especificar explicitamente no prompt: "rich dark melanin, visible texture, natural curl pattern". O prompt como ato político.
Consciência no processo muda o resultadoA mesma imagem gerada com textos diferentes são obras completamente distintas. O argumento de cada peça — a provocação, a posição, a ambiguidade — é humano. A IA forneceu o visual base; a autoria da peça é de quem a assinou.
Autoria permanece com o criadorQue acessórios metálicos ancoram a iluminação. Que contraluz resolve dreads melhor que luz frontal. Que "Avoid:" no final do prompt é tão importante quanto o que se pede. Nenhuma dessas descobertas está na documentação das ferramentas — são do processo iterado.
Conhecimento que só existe iterandoO "2025" nas peças não é detalhe de rodapé — é declaração. A IA evolui rápido; o que é desafiador hoje pode ser trivial em 12 meses. Documentar o estado da arte no momento em que foi feito é parte do registro honesto do processo.
Portfólio como diário de aprendizado datadoEntregáveis e aprendizados
3
Peças editoriais
Conceito + IA + tipografia
3
Prompts documentados
Com histórico de iterações
2
Modelos de IA
Gemini + Freepik (FLUX)
78
Variações avaliadas
Para chegar em 3 peças finais
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