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IA GENERATIVA · EDITORIAL · CASE 008

Arte IA —
Prompt como
direção de arte

Três peças editoriais construídas com Gemini, Freepik AI e Figma. Não como geração automática — como processo autoral: conceito antes da ferramenta, prompt engineering técnico, curadoria rigorosa e composição tipográfica com narrativa. O olho humano conduzindo a máquina em cada etapa.

TipoExperimento editorial pessoal
FerramentasGemini · Freepik AI · Figma
TécnicaPrompt engineering · Curadoria · Tipografia
Peças3 artes editoriais completas
Ano2025
SCROLL
3

Peças editoriais completas

2

Modelos de IA — Gemini + Freepik

78

Variações geradas e avaliadas

Iterações até o resultado certo

O experimento

Quando o prompt é o briefing

Este projeto nasceu de uma hipótese: se o prompt é a direção de arte da IA, então um designer com pensamento editorial consegue resultados radicalmente diferentes de quem simplesmente digita um pedido. A diferença entre "uma mulher negra bonita" e um prompt cinematográfico de 80 palavras com referências de iluminação, câmera, textura de pele e contexto narrativo é a diferença entre um resultado genérico e uma peça editorial.

A decisão de trabalhar com pessoas negras como sujeito central foi deliberada e política. A IA generativa carrega vieses históricos — pele muito escura tende a perder detalhes, cabelos crespos são frequentemente "corrigidos" para texturas lisas, traços africanos são suavizados para padrões eurocêntricos. Testar, nomear e contornar esses limites faz parte do aprendizado real do processo.

O tema narrativo que atravessa as três peças é a própria natureza da IA: o que é real, o que é criado, e quem decide o que fazer com isso. A ferramenta virando o assunto da obra — metalinguagem intencional.

GERAÇÃO DE IMAGEM · MODELO 01

Google Gemini

Usado nas fases iniciais de exploração conceitual e primeiras variações. Responde bem a prompts descritivos longos com referências culturais e cinematográficas. Ponto forte: coerência narrativa e interpretação de contexto. Ponto fraco: controle de detalhes anatômicos e texturas de pele muito escura sob luz direta exige muitas iterações específicas.

GERAÇÃO DE IMAGEM · MODELO 02

Freepik AI (FLUX)

Modelo FLUX via plataforma Freepik. Usado para refinamento e geração das versões finais selecionadas. Controle superior sobre composição, enquadramento e consistência de iluminação. Melhor performance com pele escura quando o prompt especifica iluminação lateral e termos técnicos de fotografia. Integração direta com o fluxo Figma.

Workflow — as 5 etapas do processo

As três peças

Visão geral do experimento

Cada peça tem um argumento central independente. Juntas, formam um tríptico sobre autoria, criação e a relação entre o humano e a máquina generativa. Assino cada uma — a IA foi o pincel, não o pintor.

Peça 01 — Beleza que não nasceu, foi projetada Peça 02 — Ele tem estilo, expressão e presença Peça 03 — Se parece real, precisa ser?

Peça 01 · Peça 02 · Peça 03 — Arte IA Editorial · Oliver Franco · 2025

Análise por peça — 01 / 03

Beleza que não nasceu, foi projetada

PEÇA 01 · FREEPIK AI (FLUX) · ~22 VARIAÇÕES

Beleza que não nasceu,
foi projetada

O ponto de partida foi uma provocação direta: a IA pode gerar beleza genuína, ou apenas imita o que já viu? A resposta visual foi construir duas figuras com presença física forte — pele escura com textura real, cabelos em contraste (liso e crespo), look metalizado que pertence ao futuro mas carrega atitude urbana do presente.

O principal desafio técnico foi obter pele muito escura com detalhes preservados sob luz quente e altamente saturada. A maioria das gerações iniciais resultava em rostos sub-expostos ou com pele que perdia textura e tornava-se plástica. A solução foi especificar luz lateral no prompt — que cria separação entre pele e fundo — e usar os termos exatos "rich skin detail, visible pores, natural melanin depth".

A escolha do fundo laranja-quente não foi casualidade: cria tensão cromática com o metálico rosado dos looks, e a temperatura alta da cena sugere intensidade emocional sem precisar de expressão dramática nos rostos. As duas figuras olham diretamente para o espectador — não posando, confrontando.

A composição tipográfica usa três blocos em posições diferentes, criando leitura fragmentada intencional: título central forte, dois comentários menores como legendas de pensamento. O glass-morphism foi calibrado para transparência suficiente para leitura, insuficiente para bloquear a imagem.

Freepik AI · FLUX Figma 22 variações geradas 3 versões de prompt
PROMPT FINAL — FREEPIK AI (FLUX)
Two Black women, dark skin with rich melanin texture and natural depth, standing side by side, direct gaze into camera, editorial fashion portrait. One with straight hair, one with natural curly hair. Metallic pink and silver crop tops, low-rise jeans. Background: warm orange gradient concrete wall with dramatic orange backlight creating rim lighting. Side lighting from left, golden hour color temperature, warm shadows that preserve skin detail — rich skin detail, visible pores, natural melanin depth. Shot on Canon EF 85mm f/1.4, medium close-up, slight upward angle. Style: high-fashion editorial, Vogue Brasil aesthetic. Avoid: overexposed skin, plastic skin texture, symmetrical posing, white studio background.

HISTÓRICO DE ITERAÇÕES

descartadoV1 — fundo branco de estúdio, pele sub-exposta, expressão genérica. Prompt muito curto, IA tomou todas as decisões.
ajustadoV2 — adicionado "warm orange background" e "rim lighting". Fundo melhorou. Cabelos sem textura, muito lisos e escuros.
ajustadoV3 — adicionado "natural curly hair" e "rich melanin texture, visible pores". Pele melhorou, pose ficou simétrica demais.
selecionadoV4 — adicionado "Avoid: symmetrical posing" e especificado lente 85mm. Resultado com presença física real e naturalidade.

Análise por peça — 02 / 03

Ele tem estilo, expressão e presença

PEÇA 02 · GEMINI + FREEPIK AI · ~38 VARIAÇÕES

Ele tem estilo,
expressão & presença

Esta foi a peça mais iterada do experimento — e por razão específica: homem negro com dreads, moda urbana bold, pele muito escura e contraluz intenso de neon. Cada um desses elementos individualmente já exige ajuste de prompt. Combinados, o modelo quase sempre priorizava um em detrimento de outro. Ou o look ficava certo e os dreads desapareciam. Ou a luz ficava dramática e a pele perdia profundidade.

A decisão de usar contraluz laranja neón como fonte principal de luz foi a chave que desbloqueou o resultado. A luz de trás cria um halo ao redor dos dreads que os define sem precisar de detalhe em cada fio — o olho humano completa a informação. A pele frontal mais escura é intencional: a silhueta conta mais que o detalhe facial nesta peça.

O look amarelo-querosene — bomber jacket, calças de moletom, correntes de prata em camadas — foi especificado item por item. A IA tende a "padronizar" roupa masculina para looks seguros e monocromáticos escuros. Nomear cada peça explicitamente foi necessário para o resultado bold que a narrativa pede.

O Gemini foi usado na fase de exploração: gerou as primeiras variações que definiram a direção do look e a composição geral. O Freepik AI (FLUX) foi o modelo do refinamento final, com controle superior sobre enquadramento e intensidade da luz de neon. Dois modelos, funções diferentes, decisão humana em cada troca.

Gemini Freepik AI · FLUX Figma 38 variações geradas 5 versões de prompt
PROMPT FASE EXPLORAÇÃO — GEMINI
Young Black man, very dark skin, locs/dreadlocks, standing in front of orange neon light wall, bold streetwear fashion, editorial portrait. Full body shot. Confident relaxed pose. Urban energy, Afropunk meets high fashion. Orange and red neon backlight creating dramatic rim halo around silhouette. Style reference: i-D Magazine, Dazed and Confused, Hypebeast editorial.
PROMPT FINAL — FREEPIK AI (FLUX)
Young Black man, very dark skin, medium-length locs hair, standing tall, direct gaze, full body editorial portrait. Outfit: mustard yellow oversized bomber jacket open chest, matching yellow drawstring pants, multiple silver chain necklaces, round wire-frame sunglasses. Background: red brick wall illuminated by large out-of-frame neon signs. Strong backlight from orange neon creating rim lighting around hair and shoulders, low-key front ambient light preserving skin texture. Shot on Sony 35mm f/2, slight low angle. Avoid: generic sportswear, brown-toned skin, symmetrical frontal pose, visible face detail over dramatic silhouette.

HISTÓRICO DE ITERAÇÕES

descartadoV1–V2 Gemini — dreads curtos demais, look monocromático escuro genérico, pose frontal sem atitude. Base conceitual ok para exploração.
ajustadoV3 Freepik — descrição do outfit item a item adicionada. Bomber amarelo apareceu, mas dreads mal definidos e quase invisíveis.
ajustadoV4 — adicionado "strong backlight from orange neon creating rim lighting around hair". Halo nos dreads resolvido com elegância.
ajustadoV5 — ângulo de câmera "slight low angle looking up" adicionado. Conferiu grandiosidade e presença à figura.
selecionadoV6 — ajuste fino do "Avoid" com "brown-toned skin". Profundidade da pele correta, silhueta com força visual real.

Análise por peça — 03 / 03

Se parece real, precisa ser?

PEÇA 03 · FREEPIK AI (FLUX) · ~18 VARIAÇÕES

Se parece real,
precisa ser?

A peça mais metalinguística do experimento. O título "Se parece real, precisa ser?" é ao mesmo tempo a pergunta que o espectador faz à imagem e a que fiz durante todo o processo. A IA cria sua própria versão da realidade — e você decide o que fazer com isso.

A escolha do contexto — bar noturno com neon vermelho e laranja, mulher com boné de aba reta e jaqueta bege, expressão contida e olhar lateral — constrói uma narrativa urbana que parece documental. Parece uma fotografia tirada em um local real, em uma noite real. Não é. E esse é o argumento.

Tecnicamente, este foi o prompt mais enxuto em palavras mas mais preciso em referências. A iluminação de bar noturno com neon é suficientemente caótica para que pequenos artefatos da geração se percam no ruído natural da cena — uma decisão consciente de usar a limitação da IA a favor da narrativa.

Uma descoberta empírica importante nesta peça: acessórios metálicos e reflexivos no prompt ajudam o modelo a ancorar a iluminação na cena. O brinco de argola dourada e o colar de pérolas foram adicionados especificamente por isso — detalhes que refletem luz criam coerência fotográfica nos reflexos ao redor do rosto. Não é intuição — é técnica descoberta iterando.

Os três blocos de texto em posições e tamanhos diferentes funcionam como mensagens sobrepostas em uma tela — reforçam a sensação de camadas, de algo que não é completamente legível de uma vez. A narrativa pede ambiguidade, e a composição a entrega.

Freepik AI · FLUX Figma 18 variações geradas 2 versões de prompt
PROMPT FINAL — FREEPIK AI (FLUX)
Black woman, very dark skin with visible natural texture, wearing a black flat-brim cap, beige trench coat, gold hoop earrings, pearl necklace — accessories added as light anchors. Sitting at a bar or diner, slight three-quarter profile, contemplative expression with strong attitude. Background: blurred neon signs in red, orange and teal — bar at night, urban documentary atmosphere. Lighting: dominant red-orange neon glow from upper left creating dramatic warm rim light on face and neck, secondary cool teal reflection from background. Shot on 50mm f/1.8, shallow depth of field, photojournalism editorial style. Skin: rich dark melanin, visible natural texture, no skin smoothing. Avoid: beauty retouching, artificial skin finish, direct frontal pose.

HISTÓRICO DE ITERAÇÕES

descartadoV1 — bar com luz muito uniforme e clean, pele sem textura, expressão neutra genérica. Perdeu toda a tensão narrativa.
ajustadoV2 — adicionado "neon signs in red and teal" e especificado boné e jaqueta. Atmosfera de bar noturno surgiu com força.
selecionadoV3 — adicionados acessórios metálicos como âncora de luz e "visible natural skin texture". Resultado com autenticidade documental real.

Reflexão — o papel do humano

O que a IA não faz sozinha

Depois de três peças, dezenas de iterações e cerca de 78 variações avaliadas, uma conclusão é clara: a IA generativa não tem intenção. Ela tem padrões. Ela replica o que viu mais vezes, amplifica o que é estatisticamente médio, e falha exatamente onde a originalidade começa.

Meu trabalho é tudo aquilo que vem antes e depois do clique em "gerar". É o conceito que ancora a imagem em uma ideia real. É o olhar que rejeita 35 variações tecnicamente corretas porque nenhuma tem a tensão certa. É a decisão de usar o limite da ferramenta como elemento estético. É a tipografia que transforma uma foto bonita em um argumento.

🎯

Intenção — a IA não tem

A IA gera o que é provável. O designer define o que é necessário. Sem conceito editorial anterior, o prompt produz média — tecnicamente competente, narrativamente vazia. Cada peça tinha uma pergunta antes de ter um prompt.

Conceito vem antes da ferramenta
👁

Curadoria — o trabalho invisível

A peça mais simples gerou 18 variações. A mais complexa, 38. O que aparece no portfólio é a variação 4, ou a 6 — nunca a primeira. A curadoria rigorosa é onde o resultado amador e o profissional se separam definitivamente.

A seleção define a qualidade
⚖️

Viés — nomear para combater

Pele muito escura, cabelos crespos, traços africanos — a IA tem vieses documentados nesses atributos. Ignorar é reproduzir. A solução foi especificar explicitamente no prompt: "rich dark melanin, visible texture, natural curl pattern". O prompt como ato político.

Consciência no processo muda o resultado
✍️

Narrativa — a imagem não conta sozinha

A mesma imagem gerada com textos diferentes são obras completamente distintas. O argumento de cada peça — a provocação, a posição, a ambiguidade — é humano. A IA forneceu o visual base; a autoria da peça é de quem a assinou.

Autoria permanece com o criador
🔬

Técnica empírica — só na prática

Que acessórios metálicos ancoram a iluminação. Que contraluz resolve dreads melhor que luz frontal. Que "Avoid:" no final do prompt é tão importante quanto o que se pede. Nenhuma dessas descobertas está na documentação das ferramentas — são do processo iterado.

Conhecimento que só existe iterando
📅

Marco temporal — datar é honesto

O "2025" nas peças não é detalhe de rodapé — é declaração. A IA evolui rápido; o que é desafiador hoje pode ser trivial em 12 meses. Documentar o estado da arte no momento em que foi feito é parte do registro honesto do processo.

Portfólio como diário de aprendizado datado

A IA gera o que é provável.
O designer define o que é necessário.

ARTE IA EDITORIAL · PROMPT ENGINEERING · OLIVER FRANCO · 2025

Entregáveis e aprendizados

Do conceito ao resultado documentado

3

Peças editoriais

Conceito + IA + tipografia

3

Prompts documentados

Com histórico de iterações

2

Modelos de IA

Gemini + Freepik (FLUX)

78

Variações avaliadas

Para chegar em 3 peças finais

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